domingo, 25 de outubro de 2009

Medo da Libertação


Paysage aux Oiseaux Jaunes
(Klee, 1923)
Se eu me demorar demais olhando Paysage aux Oiseaux Jaunes (Paisagem com Pássaros Amarelos, de Klee), nunca mais poderei voltar atrás. Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Assusta a visão talvez irremediável e que talvez seja a da liberdade. O hábito que temos de olhar através das grades da prisão, o conforto que traz segurar com as duas mãos as barras frias de ferro. A covardia nos mata. Pois há aqueles para os quais a prisão é a segurança, as barras um apoio para as mãos. Então reconheço que conheço poucos homens livres. Olho de novo a paisagem e de novo reconheço que covardia e liberdade estiveram em jogo. A burguesia total cai ao se olhar Paysage aux Oiseaux Jaunes. Minha coragem, inteiramente possível, me amedronta. Começo até a pensar que entre os loucos há os que não são loucos. E que a possibilidade, a que é verdadeiramente, não é para ser explicada a um burguês quadrado. E à medida que a pessoa quiser explicar se enreda em palavras, poderá perder a coragem, estará perdendo a liberdade. Les Oiseaux Jaunes não pede sequer que se o entenda: esse grau é ainda mais liberdade: não ter medo de não ser compreendido. Olhando a extrema beleza dos pássaros amarelos calculo o que seria se eu perdesse totalmente o medo. O conforto da prisão burguesa tantas vezes me bate no rosto. E, antes de aprender a ser livre, tudo eu aguentava - só para não ser livre.


Clarice Lispector, 1969

Clandestina Felicidade




Curta- Metragem


Gênero: Ficção
Diretor:  Beto Normal, Marcelo Gomes
Elenco: Luisa Phebo, Nathalia Corinthia, Luci Alcântara
Ano: 1998
Duração: 15 min.


A ucraniana que descobriu no Recife a felicidade clandestina que fez dela uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos. Confira nesse curta o olhar curioso, perplexo e profundo da criança-escritora Clarice Lispector.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dias Melhores


Jota Quest

Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos para trás
Vivemos esperando
O dia em que seremos melhores
Melhores no amor, melhores na dor
Melhores em tudo
Vivemos esperando
O dia em que seremos para sempre
Vivemos esperando
Dias melhores para sempre
Dias melhores para sempre

Haiti


Caetano Veloso/ Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro da
Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro possam
estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque com a pureza de
meninos uniformizados
De escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém
Ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do Pelô
E se você não for
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico
Mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo
Qualquer qualquer
Plano de educação
Que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua
sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina
111 presos indefesos
Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos
Ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui


Campanha TicTacTicTac mobilizará milhares de brasileiros no dia 24 de outubro

Mais de 4000 manifestações em todo o mundo pretendem chamar a atenção dos líderes globais para adotar medidas efetivas no combate às mudanças climáticas.


A campanha mundial TckTckTck, que no Brasil tem o nome de TicTacTicTac, já tem dezenas de ações cadastradas para o dia 24 de outubro. Veja algumas delas e clique aqui para procurar alguma perto de você:

* no Parque Trianon, na Avenida Paulista, em São Paulo, haverá um evento com música, poesia e debates das 10h às 15h

* em Florianópolis, serão distribuídas 350 mudas de plantas durante a 8ª Sepex — Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Santa Catarina. Às 14 horas, em frente à Concha Acústica, começa a concentração para o passeio ciclístico que sairá às 15 horas

* em Copacabana, no Rio de Janeiro, ao lado do relógio TicTac (em frente ao Copacabana Palace), haverá uma caminhada pela praia para recolher assinaturas à Campanha TicTacTicTac a partir das 9h30

* em Santa Cruz da Cabrália, na Bahia, a partir das 12h30, haverá atividades de educação ambiental com a doação de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica

* em Vila Velha, no Espírito Santo, na Praia da Costa, acontecerá uma manifestação para recolher assinaturas para a Campanha TicTacTicTac, das 10h às 13h

* em Sobral, no Ceará, haverá uma mobilização no Mercado Central

* no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, haverá uma ação da campanha antes do jogo entre o Atlético Mineiro e o Vitória

Para participar, basta escolher algum evento artístico, esportivo, religioso ou cultural, no dia 24 de outubro, e disseminar o abaixo-assinado da campanha entre o público presente. Quem preferir, pode organizar o próprio evento na sua comunidade, como passeios de bicicleta, concertos, caminhadas ou plantação de árvores.

As assinaturas colhidas em todo o mundo pela campanha TckTckTck serão apresentadas, entre outras ações, aos líderes mundiais que vão se reunir em Copenhague, em dezembro, na COP 15 (a Conferência das Partes entre os países membros da Convenção do Clima da ONU). O objetivo é fazer com que os acordos negociados na COP 15 efetivamente contribuam para combater o aquecimento global e as conseqüentes mudanças climáticas.

As manifestações do dia 24 de outubro estão sendo cadastradas pela ONG 350, uma das parceiras da campanha TckTckTck. Ao final do dia, registros das manifestações, como vídeos e fotos, serão divulgadas pelo site. Para se juntar ao movimento, registre do evento que você pretende organizar, clicando aqui. No site, você também pode ver os nove passos básicos para organizar sua manifestação no dia 24 e onde acontecerão as ações em todo o mundo.

O nome da ONG — 350 — significa um número importante no combate às mudanças climáticas. De acordo com estudos publicados por pesquisadores como James Hansen, da NASA, essa é a concentração (em partes por milhão, ou ppm) de carbono na atmosfera que deveria ser mantida para que a temperatura no planeta não subisse demais, a ponto de provocar mudanças climáticas que ameaçam a vida humana e a natureza. Atualmente, a concentração é de 387 ppm — ou seja, já estamos correndo contra o tempo para diminuir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.


(Envolverde/Instituto Akatu)

Enquanto isso lá no morro...

Enquanto nossas autoridades discutem de quem é a responsabilidade (municipal, estadual ou federal) , como se organizar e proceder, lá no morro...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

The Planets


Gustav Holst
Inglaterra (1874-1934)

Lembrado principalmente como compositor de Os Planetas, Gustav Holst foi um artista bastante eclético. Abordou todas as composições de um ângulo novo, inspirando-se em fontes tão diversas quanto a astrologia, canção folclórica inglesa, poesia sânscrita, melodias argelinas e a poesia de Thomas Hardy. Foi também um habilidoso professor, capaz de inspirar adultos e crianças.

The Planets

Antes um retrato dos traços humanos personificados pelos planetas que dos corpos celestes, essa suíte orquestral inspirada na astrologia sempre gozou de grande popularidade.

Marte:
É o mensageiro da guerra, música marcial num implacável compasso 5/4;



Vênus:
Mensageira da paz, constrasta pela placidez e pelo andamento lento;



Mercúrio:
Mensageiro alado, ressalta a flauta e a celesta no clima de um scherzo;



Júpiter:
O mensageiro da alegria, é pura dança, com um belo tema central que se transformou em um hino patriótico inglês. ( I vow to thee, my country)



Saturno:
Mensageiro da velhice, começa sombrio, segue com uma marcha nos metais e retorna à serenidade no final;



Urano:
O mágico, é, na verdade, um segundo scherzo com uma desengoçada melodia no fagote;



Netuno:
O místico, ao atingir o limiar do sistema solar e da psique humana (Plutão ainda não havia sido descoberto), Holst permite que harmonias misteriosas e um coro de vozes femininas sem palavras em off morram no vazio.



Glossário:

Piano: suave, em italiano, o termo é usado para dinâmicas fracas (seu oposto é o forte)

Scherzo: do italiano, brincadeira. Gênero de música instrumental de caratér vivo e alegre, que em seus primórdios (início do século 19) substitui o minueto em sinfonias, sonatas e quartetos. Posteriormente se tornou um gênero independente.

Suíte: obra em vários movimentos (de hábito instrumental).

Sergio Roberto de Oliveira

Nascido em 1970, no Rio de Janeiro, Sergio Roberto de Oliveira vem atuando tanto na música erudita como na popular, como compositor, arranjador, produtor e instrumentista.

Formado em composição pela Uni-Rio, estudou com compositores como César Guerra-Peixe, Dawid Korenchendler, Vânia Dantas Leite, Tato Taborda, entre outros. Tem recebido diversas encomendas de músicos brasileiros e do exterior, como Laura Rónai, Nicolas Souza Barros, Trio Syrinx, Tom Moore, Tracy Richardson, etc. Mais recentemente, recebeu encomenda da violinista americana Lisa Brooke, para um projeto envolvendo a Handel and Haydn Society, em Boston (EUA). A estréia dessa obra, para violino e flauta, ocorreu em maio de 2003, com a presença do compositor apresentando comentários sobre a obra, e foi aplaudida entusiasmadamente de pé por toda a platéia.

É um dos membros e criadores do grupo de compositores Prelúdio 21. Além dos concertos do grupo, sua obra tem sido apresentada em concertos importantes no Brasil e no exterior, como na Bienal de Música Contemporânea, no Panorama da Música Brasileira Atual e no The Composers´ Ensemble at Princeton, onde tem tido suas obras executadas por 3 anos consecutivos. Sua obra "Suíte para Cordas"(1995) foi premiada no II Concurso Nacional de Composição Cidade do Rio de Janeiro, promovido pela Rio-Arte, e sua obra "Circus Brasilis" (1999) foi gravada num CD ao lado de obras de compositores da Princeton University.

O violonista Armildo Uzeda executa o Baião, da Suíte Imaginária do compositor Sérgio Roberto de Oliveira.

Apresentação do Trio para flautas No. 1 no lançamento do CD "Sem Espera", com obras para flauta de Sergio Roberto de Oliveira, no Teatro B do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 11 de novembro de 2006. Intérpretes: Trio Rónai - Maria Carolina Cavalcanti (ao centro), Rudi Garrido (à direita) e Ana Paula Cruz (à esquerda).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Bicho


Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Rio, 27 de dezembro de 1947

As fotos são do fotógrafo Álvaro Riveros, chileno de nascimento e brasileiro por opção, que viu sua fascinação pelos tipos invísíveis da metrópole carioca se avolumar quando saía em direção às pautas jornalísticas. ”É a minha tentativa de entender o momento em que vivemos. Minha expressão é a imagem. É a partir dela que tento compreender o mundo“, diz Álvaro, que coleciona mais de 1.000 fotos, clicadas desde o ano 2000, doze meses depois de chegar ao Brasil. ”No Chile, também há moradores de rua, é claro, mas no Rio era impossível, para mim, não me atormentar pelas imagens que eles me proporcionavam“.

Jardim Suspenso da Babilônia


O último projeto do fotógrafo e artista plástico Felipe Morozini, o curta Jardim Suspenso da Babilônia, que pede por uma São Paulo mais verde acaba de ser anunciado como finalista no Babelgum, festival de cinema via internet. O curta levanta questões pertinentes a grande metrópole, como por exemplo, a falta de áreas verdes e o excesso de obras em concreto, como é o caso do Elevado Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão, principal via de ligação entre as zonas leste e oeste.

Jardim Suspenso da Babilônia mostra a intervenção de 28 pessoas, que em uma manhã de domingo transformaram o asfalto em tela e substituíram a tinta por cal, dando origem a desenhos de diferentes tipos de flores.

“O principal objetivo era fazer a cidade acordar mais bonita”, revela Felipe Morozini.


A intervenção artística, que também propõe a necessidade urgente de reurbanização da cidade, representa milhares de paulistanos que, assim como Felipe querem transformar São Paulo em um local mais agradável para se morar.

As fotos são de Debby Gran, André Porto, Marcos Cimardi, Leandro Pugni, a direção do curta é de Jeorge Simas e a concepção de Felipe Morozini.

O Meu Olhar é Nítido Como um Girassol


O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e a esquerda
E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei Ter o pasmo essencial que tem uma criança
Se ao nascer, reparasse que nasceras deveras...

Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo

Creio no mundo como um malmequer
Porque o vejo, mas não penso nele
Porque pensar é não compreender

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque a amo,
amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama.
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Cultura é...



“Cultura não é acumulação de informação,
é assimilação de informação.
É tudo aquilo de que a gente
se lembra após ter esquecido o que leu.
A cultura se revela no modo de falar, de sentar,
de comer, de ler um texto, de olhar o mundo.
É uma atitude que se aperfeiçoa no contato com a arte.
Cultura não é aquilo que entra pelos olhos,
é o que modifica o seu olhar.

José Paulo Paes

The Animals Save the Planet - Supermarket Bags


Produzido pelo Animal Planet, o vídeo faz um apelo para que se preserve o planeta evitando o uso excessivo e o descarte incorreto de sacolas plásticas. Os exemplares personagens do filme também são vítimas da degradação ambiental causada pelo uso excessivo e incorreto do plástico.

Ao final, uma voz dá tom da campanha:
We can all bring our own bags when we go shopping. (Todos nós podemos levar nossas próprias sacolas ao mercado)

(Envolverde/Instituto Akatu)

sábado, 17 de outubro de 2009

"As 100 Maiores Músicas Brasileiras"


A edição especial de terceiro aniversário da revista RollingStone Brasil elaborou uma lista das "100 Maiores Músicas Brasileiras". Nas palavras da própria publicação, a lista é "um justo tributo a seus criadores e também a seus intérpretes".
Confira abaixo as dez primeiras canções:

1- "Construção"- Chico Buarque

O Brasil do começo dos anos 70 era uma terra de paradoxos. O governo do General Emilio Garrastazu Médici tinha em seu bojo o chamado "Milagre Brasileiro", que prometia crescimento econômico recorde e baixa inflação. O país era campeão mundial de futebol e o slogan "Ame-o ou Deixe-o" era colado nos vidros dos carros. O que poderia estar errado? O preço para essa suposta estabilidade e ufanismo era alto. A censura tolhia a liberdade artística e a atmosfera repressora levava cidadãos insuspeitos para a cadeia. Depois de um breve período exilado na Itália, Chico Buarque retornou ao Brasil mostrando que não compactuava com a situação. Estava pronto para o confronto e explicitou isso em 1971, no LP Construção.



2-"Águas de Março"- Elis Regina & Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho"... O começo de "Águas de Março" já está impresso no fundo do subconsciente do povo brasileiro. Pouca gente sabe, mas a canção foi lançada primeiramente por Jobim, no compacto Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco , encartado no jornal O Pasquim . Depois ela foi incluída em seu disco Matita Perê , lançado em 1972. No mesmo ano, Elis Regina a gravou no álbum Elis. Mas a versão que muitos consideram definitiva foi registrada por Elis e Tom no disco de mesmo nome, lançado em 1974, com arranjos de Cesar Camargo Mariano.



3- "Carinhoso"- Pixinguinha

A mais famosa melodia da música popular brasileira continua eterna, apesar dos pesares: mesmo tendo sido escrita há mais de 90 anos, mesmo distorcida por centenas de releituras e regravações (algumas honradas, outras nem tanto), mesmo desmitificada ao embalar as mais diversas campanhas publicitárias, de cafezinho a sobremesa para crianças. Alfredo da Rocha Vianna Jr. ainda não era o Pixinguinha quando começou a ser chamado de prodígio, encantando com sua musicalidade incomum e facilidade para instrumentos e improvisos.



4- "Asa Branca"- Luiz Gonzaga

O repentista Oliveira de panelas certa vez escreveu: "Foi voando nas asas da Asa Branca/Que Gonzaga escreveu sua história". A canção "Asa Branca" desperta inúmeras reações. A composição tem mais de 50 anos de existência, mas por causa de sua atualidade até hoje se encontra presente no imaginário do povo brasileiro. Para compor a bonita toada, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira tiveram por base versos que circulavam na Serra da Borborema, Pernambuco.



5- "Mas Que Nada"- Jorge Ben

Seu time perdeu mais uma no brasileirão? O dinheiro do mês acabou e hoje é dia 12? Mas que nada! Você precisa de um samba legal pra ficar animado. Não pode ser qualquer samba, tem que ser especial. Mas tem um samba diferente, misto de maracatu. Foi lançado em 1963 e ainda soa fresquinho. O nome dele é "Mas Que Nada". Talvez você conheça a gravação do Sergio Mendes com os Black Eyed Peas de 2006, que não é tão boa quanto a feita pelo próprio Sergio Mendes 40 anos antes. Melhor esquecer as versões e ir para o original. "Mas Que Nada" foi o primeiro hit do cara que se tornou uma verdadeira escola dentro da nossa música popular, Jorge Ben (mais tarde, Jorge Ben Jor).



6- "Chega de Saudade"- João Gilberto

O samba "chega de saudade" é considerado o marco zero da bossa nova. Apesar do nascimento do gênero ser contabilizado em 1958, com a gravação do violonista e cantor baiano João Gilberto na Odeon, na verdade a gênese é do ano anterior. Em 1957, Tom Jobim produziu para o selo Festa o disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, que trazia apenas parcerias dele com o poeta Vinicius de Moraes. Entre os temas estava "Chega de Saudade". No arranjo, Jobim já dava as linhas mestras do que viria a ser a "batida da bossa" e em meio ao grandioso arranjo de orquestra já ponteava o violão de João Gilberto.



7- "Panis et Circensis"- Os Mutantes

Uma das canções mais marcantes de Tropicália ou Panis et Circencis (1968), o discomanifesto do tropicalismo (que juntou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé e os intérpretes da faixa em questão, Os Mutantes). O nome veio do uso errôneo de uma expressão latina, que Décio Pignatari viria chamar de "delicioso provincianismo de vanguarda". A confusão continua até hoje: na edição mais recente do álbum, o nome é grafado como "circencis" na capa, sendo usadas também as formas "circenses" e "circences" na contracapa.



8- "Detalhes"- Roberto Carlos

''Não adianta nem tentar me esquecer." Vinicius de Moraes bem que tentou, mas, ao menos em seu trabalho como letrista, nunca conseguiu chegar à assombrosa concisão poética do primeiro verso de "Detalhes". Nem os Beatles. Em apenas seis palavras, Roberto e Erasmo souberam condensar brilhantemente o que seria desenrolado nas seis estrofes da obra-prima dos dois: um complexo emocional em que se misturam saudade, certa dor-decorno, algum desejo de vingança, muito amor mal cicatrizado. Como é comum no trabalho da dupla, a linguagem direta e coloquial estreita afinidades entre o ouvinte e o personagem da canção. Aqui ele é, de novo, o homem comum, como eu ou você.



9- "Canto de Ossanha"- Banden Powell/ Vinicíus de Moraes

No candomblé, não existe cerimônias em a presença de Ossanha. É essa entidade que detém a força mágica das plantas - o axé - necessária em todo ritual. Talvez esse seja o motivo de "Canto de Ossanha" ser a faixa de abertura de Os Afro-Sambas, de Baden e Vinicius, terceiro álbum surgido da união entre a música de Baden Powell e a letra de Vinicius de Moraes. O disco foi gravado num lampejo entre os dias 3 e 6 de janeiro de 1966 e lançado na sequência pelo selo Forma em duas versões: estéreo e mono, para quem ainda não tinha aparelho de som com dois canais.



10- "Alegria, Alegria"- Caetano Veloso

Lançada em Caetano Veloso álbum de 1967, "Alegria, Alegria" foi a música que apresentou o movimento tropicalista ao Brasil, em apresentação ao vivo realizada no III Festival da TV Record, em 1967. O ideal exposto pela letra da canção foi reforçado pelo rock cru do grupo argentino Beat Boys, que ainda colaborou com a estética visual. "O aspecto do grupo de rapazes de cabelos muito longos portando guitarras maciças e coloridas representava de modo gritante tudo o que os nacionalistas da MPB mais odiavam e temiam", explica Caetano no livro Verdade Tropical.




Você lê esta matéria na íntegra na edição 37, outubro/2009

As 100 Maiores Músicas Brasileiras

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Horário de Verão


A 39ª edição do Horário de Verão (2009-2010) terá início à zero hora do dia 18 de outubro de 2009 e terminará à zero hora do dia 21 de fevereiro de 2010 (Decreto 6558/2008 de 08/09/2008).

Os relógios deverão ser adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A previsão do Operador Nacional do Sistema (ONS) é que haja uma redução entre 4% e 5% na demanda no horário de pico, cerca de 2 mil MW. No Sudeste e Centro-Oeste, a redução na demanda deve chegar a 1.790 MW, o que equivale a uma cidade com 5 milhões de habitantes. Já na região Sul, a estimativa de redução é de 528 MW, suficiente para abastecer uma cidade de 1,5 milhão de habitantes.
O principal objetivo do Horário de Verão é a redução da demanda máxima durante o horário de pico de carga do sistema elétrico brasileiro. A mudança de comportamento dos consumidores associado com o retardo do início da utilização da iluminação pública reduz a coincidência do consumo de energia elétrica acarretando queda do consumo nos horários de pico no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Como conseqüência ocorre uma maior segurança e confiabilidade operativa do sistema nas horas mais críticas, minimizando a necessidade de investimentos para atendimentos sazonais em áreas localizadas, evitando-se também a sobrecarga nas linhas de transmissão, subestações, sistemas de distribuição e unidades geradoras de energia.

Além do Distrito Federal, a medida abrange os mesmos estados dos últimos dois anos: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essa abrangência é explicada pelo fato de ser possível um aproveitamento mais eficiente da luz solar nessa época do ano nesses estados.

A mudança de horário no período do verão é um recurso adotado por diversos países do Hemisfério Norte (de março a outubro) e do Hemisfério Sul (outubro a março). Entre eles estão grande parte da Europa, os Estados Unidos, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Paraguai e Uruguai.

Fonte:
Ministério de Minas e Energia

Arquivo do blog