sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dança das Mil Mãos

Recebi este mimo do Vio e faço questão de  compartilhar com todos vocês, porque  é  realmente impressionante a coordenação tão exata das dançarinas! 

Dançarinas do Grupo de Artes Performativas da Associação Chinesa de Pessoas com Deficiência exibem o seu número mais conhecido, a dança Qianshou Kuanyin, ou Bodhisattva de 1000 mãos. A dança do Buda de Mil Mãos prende a atenção de todos, pois são 21 dançarinas surdas e mudas trajadas de dourado, formando uma fila vertical e 42 braços promovem diferentes gestos simultaneamente, levando a todos a imagem do Buda de Mil Mãos, encontrada em muitas grutas da China. A dança maravilhosa foi criada por um famoso coreógrafo chinês, Zhang Jigang.

 Lindo e emocionante! Obrigada Vio!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Epitáfio



 Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...


Titãs



Por Não Estarem Distraídos...



Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."


Clarice Lispector

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pedro Lyra

 Fortaleza-CE (1945)

Como outras manifestações culturais alternativas, aparecidas nos anos 60, o poema–postal surgiu e teve como pioneiro entre nós, em 1970, o poeta Pedro Lyra. Elaborando cartões postais em que unia um breve texto poético à imagem escolhida, da qual o texto muitas vezes funcionava como legenda, Lyra dava início a uma técnica bem própria de divulgar a poesia. Ainda que presa a uma vertente do chamado poema–processo, dele se distanciava ao admitir o emprego de versos, num contexto que poderia dispensá–los, e formando um discurso bastante conciso, no qual a economia de vocábulos se responsabilizava pela maior objetividade da mensagem.


O Novo Livro de Luís Fernando Veríssimo




Você quer ler o novo livro de Luís Fernando Veríssimo?

Então doe livros! 
O lançamento de "Os Espiões" foi atrelado a uma ação social. 
Funciona assim: o livro tá pronto. Tá lá. 
Mas tá trancado a sete chaves e a publicação só será liberada quando chegar a 500.000 o número de doações ao Banco de Livros da Fundação Gaúcha de Bancos Sociais (ONG que centraliza doações de livros e os repassa para comunidades carentes). 
No site Banco de Livros são encontradas informações sobre postos de coleta, inclusive para quem quiser participar mas não mora no RS. 



Fonte: Jandira Feijó

 Como Doar:

- É bem simples: todas as agências dos Correios e da Caixa Federal, todas as lojas da Panvel, do Zaffari e da Chevrolet e todos os estacionamentos Safe Park terão urnas de arrecadação.

- Se você quiser saber como anda o contador de doações, visite www.livroinedito.com.br.

- Assim que a marca de 500 mil livros for atingida, "Os Espiões," estará à disposição para leitura na íntegra no site. Quer ser avisado, por e-mail, do exato momento em que o romance for disponibilizado? É só deixar seu endereço eletrônico no cadastro do site.

Rio Como Vamos




Ser atingido por uma bala perdida é atualmente o maior temor dos cariocas em seu dia a dia. A revelação é da Pesquisa de Percepção 2009 do Rio Como Vamos, encomendada ao Ibope e cujo relatório acaba de ser concluído. Das 1.358 pessoas entrevistadas em agosto em todas as regiões da cidade, 36% apontaram como seu principal medo o risco de ser baleado, mesmo sem estar envolvido numa situação de tiroteio. Os moradores da Zona Norte – justamente onde fica a Favela Kelson’s, na Penha, local em que a dona de casa Ana Cristina Costa do Nascimento, de 24 anos, foi morta e sua filha de 11 meses ferida por uma bala perdida no último domingo – foram os que demonstraram mais este receio: 44% deles. O medo das balas perdidas também foi apontado pela maioria dos moradores das demais regiões da cidade que participaram do estudo.

Comparando-se os dados da Pesquisa de Percepção do RCV com os do Relatório Temático sobre Balas Perdidas do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP) e com as ocorrências mais recentes – além do caso de Ana Cristina e a filha, a morte do ambulante Marcelino dos Santos, de 51 anos, também no Complexo da Penha, e as vítimas inocentes da guerra que vem sendo travada entre traficantes e polícia há duas semanas – nota-se que o temor dos residentes da Zona Norte não é infundado. De acordo com o relatório do ISP, das 79 pessoas vitimadas (entre mortos e feridos) por balas perdidas no primeiro semestre deste ano na Capital, quase a metade foi atingida em bairros da Zona Norte, área que concentra o maior número de domicílios em favelas da cidade (49,78%, segundo dados do Censo 2000 do IBGE).

– Nossa pesquisa mostra que balas perdidas aterrorizam os moradores de todos os bairros do Rio de Janeiro. Na Zona Norte, é natural que o temor seja maior, já que é lá que ocorre grande parte dos conflitos entre as facções do tráfico e entre criminosos e policiais, como estamos vendo agora. Espero que as autoridades da Segurança Pública levem para as favelas dessa região, urgentemente, o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora, que tem se mostrado tão eficaz e despertado grandes esperanças de paz nas áreas conflituosas, como foi o caso do Dona Marta. Com a polícia cidadã, devem chegar outros serviços públicos, que dêem a essas comunidades o estatuto de um bairro como qualquer outro e onde se possa viver tranquilo – diz a presidente executiva do Rio Como Vamos, Rosiska Darcy, destacando que a liberação de recursos federais para as UPPs, prometida na terça-feira pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, é bem-vinda.

As balas perdidas foram ainda o maior temor apontado por 36% dos moradores de Barra/Jacarepaguá; 35% no Centro; 34% na Zona Sul e 24% na Oeste. No total da cidade (36%), o medo de ser atingido por uma delas é maior, inclusive, do que o receio de ser assaltado, respondido por 23% dos entrevistados, com maior incidência na área de Barra/Jacarepaguá (31%). Em terceiro lugar foi apontado o medo de sair à noite, com 19% das respostas, principalmente de moradores do Centro (23%) e das zonas Sul (23%) e Oeste (26%). Em quarto e quinto lugar vêm, respectivamente, o temor da presença do tráfico, com 7%; e o de abordagens policiais, com 4%.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia da Animação




 Dossiê Rê Bordosa


Os livros de história do cinema apontam 28 de dezembro de 1895 como a data da primeira exibição cinematográfica, pelos irmãos Auguste e Louis Lumière. É mentira. Os Lumière foram pioneiros no uso da película cinematográfica para registrar imagens do mundo real. A verdade é que três anos e dois meses antes, um filme fora exibido pela primeira vez: em 28 de outubro de 1892, Charles-Émile Reynaud apresentara seu Pauvre Pierrot no Museu Grévin, em Paris. Era o primeiro filme de animação da história. E, antecipando a tecnologia usada até hoje, sua película tinha perfurações que lhe permitiam rodar com alguma precisão.

Em 2002, a Associação Internacional do Filme de Animação resolveu homenagear Reynaud, e escolheu 28 de outubro como o Dia Internacional de Animação, comemorado a cada temporada em centenas de lugares pelo mundo. 

A programação de todas as cidades brasileiras pode ser conferida no site www.diadanimacao.com.br.


A mostra oficial do Dia Internacional da Animação inclui curtas nacionais e estrangeiros. Entre os primeiros está, por exemplo, Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral, que, por meio da técnica de stop motion constrói um suposto documentário sobre os motivos que teriam levado o quadrinista Angeli a “assassinar” sua mais célebre criação.

Procura-se!




CAIO HENRIQUE PSCHEIDT saiu de casa no sábado, foi visto pela última vez em Campo Alegre -SC indo em direção a Joinville-SC. Ele tem 20 anos, não sabemos ao certo o que aconteceu.


Quem tiver notícias avise por favor pelo telefone:
0XX47 3644 7406
Mãe: Evelize

Reinvenção




A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.



Cecília Meireles

Bachianas Brasileiras N° 5


 Villa-Lobos


II - Dança: Martelo
Violoncelo solista introduz o motivo sobre o qual a voz desenvolverá os versos de Manuel Bandeira:


Irerê meu passarinho do sertão do Cariri,
Irerê meu companheiro,
Cadê viola ? Cadê meu bem ? Cadê Maria ?
Ai triste sorte do violeiro cantadô !
Ah ! Sem a viola em que cantava o seu amô,
Ah ! Seu assobio é tua flauta de Irerê:
Que tua flauta do sertão quando assobia,
Ah ! Agente sofre sem querê !
Ah ! Teu canto chega lá no fundo do sertão,
Ah ! Como uma brisa amolecendo o coração,
Ah ! Ah !
Irerê, solta o teu canto !
Canta mais ! Canta mais !
Prá alembrá o Cariri !

Canta cambaxirra ! Canta juriti !
Canta Irerê ! Canta, canta sofrê
Patativa ! Bem-te-vi !
Maria acorda que é dia
Cantem todos vocês
Passarinhos do sertão !
Bem-te-vi ! Eh ! Sabiá !
La ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !
Eh ! Sabiá da mata cantadô !
Liá ! liá ! liá ! liá !
Lá ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !
Eh ! Sabiá da mata sofredô !
O vosso canto vem do fundo do sertão
Como uma brisa amolecendo o coração

Irerê meu passarinho do sertão do Cariri ...

Ai ! 

Manuel Bandeira


Gravação realizada em 20 de julho de 2009 no Theatro São Pedro em Porto Alegre - RS.
Regente: Manfredo Schmiedt 
Solistas: Elisa Machado (Soprano) / Tânia Lisboa (Cello) 

Teoria da Diversão

Campanha desenvolvida pela montadora Volkswagen.




Toda Ação Gera uma Reação


A melhor coisa que me aconteceu neste último ano que se passou, foi assumir a responsabilidade sobre meus atos. Sim, eu marmanjo velho, aos 44 anos de idade, ainda não tinha noção real do que é ser responsável. Não esta responsabilidade carimbada que a sociedade nos vende, esta ideia abstrata de trabalhar e produzir, pois isto nunca me faltou, mas aquela ideia de saber que a cada ação, vem uma reação. A cada coisa que faço, tenho que pagar o preço por ela. Cansei do imobilismo, da anestesia, de responsabilizar os outros por problemas que são somente meus. De culpar os outros pelos meus erros, de escolher o caminho mais fácil.

Cansei de deixar o copo de mate na praia junto com o papel do canudo para depois reclamar que as praias do Rio são imundas;

Cansei de jogar papel no chão e depois praguejar contra o prefeito, que não faz o dever de casa limpando os bueiros para evitar as enchentes;

Cansei de reclamar do trânsito violento e a cada carro que me ultrapassa acelerar mais e impedir sua passagem;

Cansei de praguejar nas ruas contra os carros que avançam sinais e eu fazer o mesmo "porque estou atrasado;

Cansei de deixar meu filho fazer xixi no canteiro e reclamar do mau cheiro que domina o Rio;

Cansei de ser IXPERTU;

Cansei de reclamar dos mendigos que dramatizam a miséria em busca de esmola, que usam suas crianças para conseguir dinheiro, e na próxima esquina dar um trocado a quem me pede;

Enchi o saco de ser incoerente.

Domingo, estava indo para o metrô com meus dois filhos e vi um carro dando marcha a ré. Apontei para ele, estufei o peito e mostrei aos meninos: "É por isso que se deve olhar para os dois lados da rua antes de atravessá-la", sentenciei. E imediatamente lembrei que, quando tinha carro, cansei de fazer tal manobra - com eles no banco de trás.

Não quero mais a incoerência na minha vida. Não, definitivamente não quero - o que, infelizmente, não quer dizer que nunca mais o serei. Mas só de ter consciência destes defeitos de caráter, já me alivio. É um primeiro passo para evitar a repetição insana dos mesmos erros esperando resultados diferentes.

Não compactuo mais com a ignorância.

Não compactuo mais com a violência.

Não uso mais drogas.

Não bebo mais.

Só por hoje. 


A Cor do Rio que Corre


















segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Escolhas...




Ou isto ou aquilo
 
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo. 


Cecília Meireles


Ou isto ou aquilo, Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil

“Home - Nosso Planeta, Nossa Casa”











 Em algumas poucas décadas, a Humanidade interferiu no equilíbrio estabelecido no Planeta há aproximadamente quatro bilhões de anos de evolução. O preço a pagar é alto, mas é tarde demais para ser pessimista. A Humanidade tem somente dez anos para reverter essa situação, observar atentamente a extensão da destruição das riquezas da Terra e considerar mudanças em seus padrões de consumo.


Ao longo de uma seqüência única através de 54 países, toda filmada dos céus, Yann Arthus-Bertrand divide conosco sua admiração e preocupação com o filme “Home - Nosso Planeta, Nossa Casa” e finca a pedra fundamental para mostrar que, juntos, precisamos reconstruí-lo.

Mais do que um filme, “Home - Nosso Planeta, Nossa Casa” é um grande evento internacional: pela primeira vez um filme foi exibido no mesmo dia: 5 de Junho de 2009, em 181 países e por 81 canais de TV. O Dia Mundial do Meio Ambiente foi escolhido como a data mais simbólica para essa exibição simultânea, em grande parte gratuitamente, em vários formatos, como cinema, televisão, DVD e internet (on-line pelo http://www.youtube.com/homeproject). O objetivo do diretor Yann Arthus-Bertrand, dos distribuidores Luc Besson e Denis Carot, e o de François-Henri Pinault, presidente da PPR, principal patrocinadora do filme, é atingir a maior audiência possível e convencer a todos das nossas responsabilidades individuais e coletivas com relação ao Planeta.


Qual é a mensagem central do filme?

O filme é um verdadeiro manifesto. O nosso impacto sobre a Terra é muito mais forte do que ela pode suportar. Nós consumimos em excesso e estamos extinguindo os recursos da Terra. Desde o céu, podemos ver claramente os lugares onde a Terra foi ferida. Assim, “Home - Nosso Planeta, Nossa Casa” explica simplesmente os problemas atuais, sempre afirmando que existe uma solução. O subtítulo do filme poderia ser “É tarde demais para ser pessimista”. Nós chegamos a uma encruzilhada. Decisões importantes devem ser tomadas para mudar o mundo. Todos sabem sobre o que tratamos no filme, mas ninguém quer realmente acreditar nisso. Assim “Home - Nosso Planeta, Nossa Casa” é então um tijolo a mais no edifício construído pelas organizações ambientais, de retorno ao bom senso para mudar o nosso modo de consumir e de viver.

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