sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Oração ao Tempo



És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho
Tempo Tempo Tempo Tempo, vou te fazer um pedido
Tempo Tempo Tempo Tempo
Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos
Tempo Tempo Tempo Tempo entro num acordo contigo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Por seres tão inventivo e pareceres contínuo
Tempo Tempo Tempo Tempo és um dos deuses mais lindos
Tempo Tempo Tempo Tempo

Que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho
Tempo Tempo Tempo Tempo ouve bem o que te digo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo

De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo e eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo apenas contigo e migo
Tempo Tempo Tempo Tempo

E quando eu tiver saído para fora do círculo
Tempo Tempo Tempo Tempo não serei nem terás sido
Tempo Tempo Tempo Tempo

Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos
Tempo Tempo Tempo Tempo num outro nível de vínculo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Portanto peço-te aquilo e te ofereço elogios
Tempo Tempo Tempo Tempo nas rimas do meu estilo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Caetano Veloso 


Nosso Mundo. Sua Ação!

Simples gestos fazem a diferença. Faça o seu.

O nosso mundo enfrenta desafios sem precedentes, que variam de conflitos e deslocamentos em massa para as alterações climáticas, migração e uma crise financeira global. Temos responsabilidade coletica para tornar o nosso mundo um lugar melhor. Cabe a cada um de nós, como indivíduos, fazer algo para ajudar os outros. Jovem ou velho, todos nós podemos fazer a diferença!

Saudade


Saudade

Saudade de tudo!...

Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas
que eu podia viver e não vivi!...
Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfas e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez ainda hoje espere por mim...

Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...

Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha 

numa gota o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo...

João Guimarães Rosa

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sagarana


Buriti

"Lá em cima daquela serra,
passa boi , passa boiada,
passa gente ruim e boa
passa a minha namorada".


 Epígrafe do livro, Sagarana:
João Guimarães Rosa


SAGARANA
Composição: 
João de Aquino / Paulo Cesar Pinheiro 

A ver, no em-sido 
Pelos campos-claros: estórias
Se deu passado esse caso
Vivência é memórias
Nos Gerais
A honra é-que-é-que se apraz
Cada quão
Sabia sua distrição
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, 'sas passagens
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens, personagens
A mulher
Tinha a morenês que se quer
Verde olhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz-que existia outro gerais
Quem o qual, dono seu
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
Um dia ela dá o que faltou... ô, ô, ô...
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana...
A pois que houve
No tempo das ruas bonitas
Um moço êveio:
- Viola enfeitada de fitas
Vinha atrás
De uns dias para descanso e paz
Galardão:
- Mississo-redó: Falanfão
No-que: "-se abanque..."
Que ele deu nos óio o verdêjo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo...
Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz quis logo querer os gerais
E a dona deles:
"-Que sim", que ela disse verdeal
Quem o qual, dono seu
Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
- Cresceu nas facas:
- O moço ficou sem ser macho
E a moça sem verde ficou... ô, ô, ô...
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana...
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Me Leve


-Moça com Livro-
Almeida Júnior

Cantiga para não morrer...

Quando você se for embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar in De Dentro da Noite Veloz 

(1962-1975) 



Lindíssimo!
Valeu a dica! 
Stanis

Dia do Doador de Sangue

Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue - 25 de Novembro
O Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue foi instituído, no Brasil, pelo decreto no 53.988, de 30/06/1964.

Embora a ciência tenha avançado muito, ainda não descobriu algo que substitua o sangue humano. Em razão disso, há necessidade de doadores de sangue, para que as pessoas que necessitam de transfusão possam sobreviver. A doação é, pois um ato de solidariedade.

O doador precisa ter peso mínimo de 50kg, boas condições de saúde e estar na faixa de 18 a 65 anos. Há várias razões para que o doador não tenha receio de doar seu sangue:


  • É procedimento seguro. O doador é avaliado e seu sangue passa por rigoroso e completo exame laboratorial.
  • Não prejudica a saúde. O volume de sangue de uma pessoa corresponde a 7% de seu peso corporal. Numa doação, são retirados de 8 ml/kg de peso para mulher e 9 ml/kg de peso para homem. O volume máximo da doação é de 500 ml. O volume de plasma doado é reposto em 24 horas; os glóbulos vermelhos, em cerca de 2 a 4 semanas.
  • Não obriga a outras doações. A pessoa pode doar apenas uma vez ou, se quiser, a cada dois meses, se for homem, e a cada três, se for mulher, num período que não excede meia hora.
  • Não aumenta a pressão arterial, nem "engrossa o sangue".
  • Não causa contaminação, pois o material utilizado é descartável e oferece total segurança.


Sangue é Vida! Você pode salvar muitas delas!

Sangue é Vida!

Endereços dos Hemocentros em todo Brasil

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Homem; As Viagens



O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.


Carlos Drummond de Andrade

Palmeiras Raras



Elas estão no Aterro do Flamengo (Rio de Janeiro-RJ) desde 1965. Fazem parte do projeto original de Burle Marx e, somente agora, no ano em que se comemora o centenário de nascimento do paisagista, é que resolveram desabrochar. Um presente para para seu finado tutor e aos milhares de cariocas e turistas que visitam a cidade. Mas nem tudo são flores. Literalmente: após a floração, as palmeiras Corypha umbraculifera, conhecidas como Palma Talipot, morrem e a prefeitura ainda não tem uma ação definida para repor as espécies no local. Então, quem ainda não viu, deve se apressar. Se tudo der certo, elas ficam em pé por mais quatro ou seis meses.
De acordo com o diretor de Arborização da Fundação Parques e Jardins (FPJ) – órgão vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente – David Lessa, as palmeiras Talipot não são originais do Brasil e, até agora, afirma, não há notícias de hortos que a cultivem no país. Ele garante que a fundação tenta comprar mudas da espécie para promover o replantio. Mas, por enquanto, não há prazos para que a perda seja recompensada.


– Se não houver ninguém que venda no Brasil, vamos ter que importar. Vai ficar muito caro. De qualquer maneira, é preciso esperar o fim da floração para remover as palmeiras, esse é o tempo que temos para encontrar uma solução – explicou Lessa.


Auge na terceira idade
O engenheiro florestal Flávio Telles, subgerente de plantio da FPJ, ensina que a palmeira Talipot é uma espécie nativa do sul Índia (Costa do Malabar) e do Sri Lanka. É uma das maiores do mundo, podendo chegar a 25 metros de altura. A inflorescência (nascimento de mais de uma flor na haste da planta) também chama a atenção dos especialistas, já que pode chegar a seis ou a oito metros de comprimento. É a partir daí, que a natureza faz seu espetáculo: do topo da árvore surge um festival de flores amarelas, verdes e castanhas, que soberanamente roubam a cena no Aterro do Flamengo.


– Elas têm um crescimento lento, em média, costumam dar frutos a partir dos 50 anos de idade, não é uma regra, algumas demandam mais tempo para florescer. Depois, porém, elas morrem. O processo todo até a morte leva de quatro a seis meses – diz Telles. 

Leia Mais: Palmeiras Raras do Aterro Vão Morrer

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um Dia Sem Carne: O Planeta Agradece!



Ao contrário do que muita gente imagina, a palavra vegetariano vem da expressão latina vegetus, que significa "forte, vigoroso, saudável". Esse é o nome dado às dietas baseadas em alimentos de origem vegetal. Ou seja, não vale ingerir carnes, ovos, peixes, leite e derivados.
"Trata-se de um estilo de vida que beneficia não só a própria pessoa, mas também os animais e o meio ambiente", diz o nutricionista George Guimarães. Por isso mesmo, a campanha Segunda-Feira Sem Carne é um sucesso no mundo. E você, o que acha de mudar o cardápio uma vez por semana? Seu corpo, o planeta Terra e os bichinhos agradecem!

Cortar produtos de origem animal ajuda a...

-Evitar câncer
Alimentar-se à base de vegetais reduz as chances de desenvolver carcinoma, um tipo de tumor maligno.

-Perder peso
A dieta vegetariana possui menos calorias e mais fibras.

-Baixar colesterol
Sem ovos, carne, leite e derivados, cai o risco de infartar.

-Ter ossos fortes
A ingestão de proteínas animais em excesso enfraquece os ossos, aumentando os riscos de osteoporose.

3 mitos sobre o vegetarianismo

-Há poucas opções de alimentos
No livro Alimentação Inteligente: A Revolução Diária na Saúde (ed. Senac), o chef Alexandre Pimentel conta que existem cerca de 50 mil plantas comestíveis.

-Faltam nutrientes nas refeições
Combinar vários produtos de origem vegetal fornece todas as fibras, gorduras, proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais de que nosso organismo precisa.

-Faz mal às crianças
Se a quantidade de calorias estiver adequada à fase, ela poderá ser vegetariana sem qualquer problema.

Impacto ambiental

. A criação de gado necessita de muito mais água do que as plantações.
. A pecuária está entre as principais responsáveis pela destruição de florestas.
. A abertura de pastos contribui mais para o efeito estufa do que viajar de carro ou de avião! Isso porque ela derruba a mata nativa, diminuindo a quantidade de árvores, que são capazes de filtrar a poluição. O resultado é um planeta cada vez mais quente.
. A poluição resultante da pecuária contamina os rios e os lagos.


domingo, 22 de novembro de 2009

Dia Da Música



A palavra Música é de origem grega e significa "as forças das musas". As musas eram ninfas que ensinavam às pessoas as verdades dos deuses, semideuses e heróis, usando a poesia, a dança, o canto lírico, o canto coral, o teatro etc. Todas estas manifestações artísticas eram acompanhadas por sons.
Portanto, a definição mais exata para a Música é de "arte de ensinar". A música é um sentimento eclético porque as pessoas sentem a música de modo diferenciado. O que é música para uns, não passa de uma confusão de ruídos para outros.
Na pré-história o homem descobriu os sons do ambiente que o cercava e aprendeu suas diferentes sonoridades: o rumor das ondas quebrando na praia, o ruído a tempestade se aproximando, da melodia do canto animais e também se encantou o seu próprio canto, percebendo assim o instrumento musical que é a voz.
Mas a música pré-histórica não é considerada como arte, e sim uma expansão impulsiva e instintiva do movimento sonoro, apenas um veículo expressivo de comunicação, sempre ligada às palavras, aos ritos e à dança.
Os dicionários definem a música como uma faceta das belas-artes que está relacionada com a combinação e harmonização dos sons como forma de expressar o pensamento ou a emoção. Mesmo mais adequado o conceito não é satisfatório, pois esquece a possibilidade de um simples som ser considerado como música.
Ainda neste terceiro milênio, os músicos chineses são capazes de escutar as ressonâncias de um simples toque de sino esmorecendo até o silêncio. Para eles, essa ressonância é música. Em meio ao silêncio da floresta Amazônica, uma índia da tribo Javaé canta durante horas uma canção de ninar feita apenas da longa repetição de dois sons, provavelmente como faziam os nossos antepassados primitivos.
Enquanto isso, no mesmo instante, nos sofisticados institutos de pesquisas acústicas das mais diversas metrópoles do planeta, complexos computadores escrevem partituras, inventam sons jamais ouvidos pelo homem e auxiliam os artistas na solução de intrincados problemas de ordem musical.
Entre esses dois extremos: o da música utilitária feita em plena natureza e o da pesquisa radical realizada a partir das conquistas da tecnologia; existe toda uma gama imensa de atividades musicais, que indicam que a chamada arte dos sons organizados encontra-se, hoje e sempre, em eletrizante expansão. No dia 22 de Novembro, comemoramos o Dia da Música e de Santa Cecília que é exaltada como a "padroeira da música e dos músicos".
A tradição conta que Santa Cecília cantava com tal doçura que um anjo desceu do céu para ouvi-la. A música é, sem dúvida alguma, uma forma única de expressão, para enaltecer a palavra e o sentimento humano, que utiliza a voz como instrumento artístico.

Um Dia Sem Música...


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dia da Consciência Negra



"Desse modo não existe diferença 
entre judeus e não-judeus, 
entre escravos e pessoas livres,
entre homens e mulheres:
todos vocês são um só 
por estarem unidos em Cristo Jesus." 
Gálatas 3:28


Traduzir-se


 
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
 
Ferreira Gullar


Debret



JEAN BAPTISTE DEBRET: 
UM ARTISTA À SERVIÇO 
DA CORTE PORTUGUESA NO BRASIL

Chegada ao Brasil: 1816
Volta à França: 1831 

Por meio de sua obra Viagem ..., Debret procurou demonstrar, com minuciosos detalhes e cuidados, a "formação" do Brasil, especialmente no sentido cultural do povo e nação.

"Ao longo de suas páginas, Debret enfatiza o que considera os diferentes momentos da marcha da civilização no Brasil: os indígenas e suas relações com o homem branco, as atividades econômicas e a presença marcante da mão de obra escrava e, por fim, as instituições políticas e religiosas." Pág. 29

Debret procurou resgatar particularidades do país e do povo. Utilizou o termo "pitoresco" com a ideologia de precisão, habilidade, talento, e qualidade artística em representar e "preservar" o passado daquele povo. Segundo a autora, para Debret, esta obra favoreceria no sentido de demonstrar para Europa um Brasil que merecia ocupar o mesmo lugar dos grandes e civilizados países. Vejamos outra citação da autora a respeito do termo "pitoresco" utilizado por Debret:

" ...traduzia, igualmente, nas primeiras décadas do século XIX, a opção por privilegiar, no "retrato" dos povos, aspectos que não estivessem limitados às questões políticas, mas que dessem testemunho da religião, da cultura e dos costumes dos homens." Pág.36

Debret preocupou-se muito com os textos que acompanhavam suas imagens, demonstrando certa fidelidade ao sentido literário. Tal postura não era comum em outros "artistas - viajantes". Muitos pintores não se preocupavam demasiadamente com o sentido dos textos comparando-os com as ilustrações contidas em seus trabalhos.
Esse desejo, por parte do pintor em resgatar costumes e acontecimentos do passado brasileiro evidencia a importância de sua estada ao Brasil durante esses 15 anos.

Valeria Lima

SEÇÃO DE FIGURAS






DESCRIÇÃO DAS FIGURAS:

Aplicação do castigo do açoite
Casamento de negros escravos de uma família rica
Passatempo dos ricos
Auto-retrato de Debret
Mercado da rua do Valongo
Jantar (família rica) 


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LIMA, Valéria - Uma Viagem com Debret, {coleção: Descobrindo o Brasil} Ed. Jorge Zahar, RJ - 2004.

Dia da Consciência Negra


Zumbi líder do quilombo dos Palmares
 
Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da resistência anti-escravagista. Pesquisas e estudos indicam que nasceu em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de Português e Latim aos 12 anos de idade, sendo batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais famosos de Palmares. "Zumbi" significa: a força do espírito presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do Quilombo dos Palmares.
O nome Palmares foi dado pelos portugueses, devido ao grande número de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da capitania de Pernambuco, hoje estado de Alagoas. Os que lá viviam chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena). Palmares constituiu-se como abrigo não só de negros, mas também de brancos pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
O Quilombo dos Palmares existiu por um período de quase cem anos, entre 1600 e 1695. No Quilombo de Palmares (o maior em extensão), viviam cerca de vinte mil habitantes. Nos engenhos e senzalas, Palmares era parecido com a Terra Prometida, e Zumbi, era tido como eterno e imortal, e era reconhecido como um protetor leal e corajoso. Zumbi era um extraordinário e talentoso dirigente militar. Explorava com inteligência as peculiaridades da região. No Quilombo de Palmares plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes, batatas. Em meados do século XVII, calculavam-se cerca de onze povoados. A capital, era Macaco, na Serra da Barriga.
A Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista, vulto de triste lembrança da história do Brasil, foi atribuído a tarefa de destruir Palmares. Para o domínio colonial, aniquilar Palmares era mais que um imperativo atribuído, era uma questão de honra. Em 1694, com uma legião de 9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada que levaria à derrota de Macaco, principal povoado de Palmares. Segundo Paiva de Oliveira, Zumbi foi localizado no dia 20 de novembro de 1695, vítima da traição de Antônio Soares. “O corpo perfurado por balas e punhaladas foi levado a Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para Recife onde, foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo”.
O Quilombo dos Palmares foi defendido no século XVII durante anos por Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugidos novamente para a escravidão. O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

Profª da FEB/CETEC

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