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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Acalme meus passos















QUARTETO VOX


Acalme meus passos senhor
Acalme minha mente
Desacelere as batidas do meu coração
Diminua o meu ritmo forte
Com sua visão que vai além
Da eternidade do tempo
Em meio as confusões do dia a dia
Dá me tua paz e a tranquilidade das montanhas
Ensina me a arte de te amar
Me ajuda a compreender o teu poder
Pra que eu possa perceber
Tua grandeza em meu viver
Eu quero me calar pra escutar
A tua doce voz a me inspirar
Pra que eu possa ser instrumento em tuas mãos
Acalme meus passos, acalme meus passos
Elevo os meus olhos senhor
Ao alto dos montes
Para buscar a grandeza do teu resplendor
Considera o meu pensamento e faz-me fiel
E assim serei forte e vitorioso
Palavras de amor sentir a prece ergo aos ceus
E agradeço o teu cuidado
Ensina me a arte de te amar
Me ajuda a compreender o teu poder
Pra que eu possa perceber
Tua grandeza em meu viver
Eu quero me calar pra escutar
A tua doce voz a me inspirar
Pra que eu possa ser instrumento em tuas mãos
Acalme meus passos, acalme meus passos


terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Música das Esferas

"Astronomia e música estão em estreita
relação uma com a outra, notai-o bem.
Os astros, em seu giro à volta da terra,
emitem uma música misteriosa."
Pitágoras


Artigo de Marcelo Gleiser


A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.

A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.

Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.

A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.

Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais. Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança. A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.

A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.

Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.

Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.

E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.

Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa. Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.

Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes. Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.

Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas. Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.


*Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro 'O Fim da Terra e do Céu'.
Artigo publicado na 'Folha de SP'

Donald no País da Matemática



domingo, 4 de outubro de 2009

Quais São os Seus Mantras?


A Tucha do 50 Possibilidades trouxe essa interessante reflexão sobre a música e seus benefícios. Resolvi então compartilhar com todos vocês o post e a minha opinião:

-A música apesar de não ser classificada como essencial a sobrevivência humana, não há quem viva sem ela, salvo os que são impedidos fisicamente. Todos os povos, em todas as regiões do planeta utilizam e usufruem da música!
Apesar de ser considerada hoje em dia como mero entretenimento, a música não é de maneira nenhuma inofensiva! Ela influencia em todas as áreas do ser humano: física, mental, emocional e espiritual!

-Física: acelerando ou acalmando os batimentos cardíacos
-Mental: as ondas sonoras interferem nas ondas cerebrais
-Emocional: ela pode nos levar desde a euforia até as lágrimas
-Espiritual: a letra da música nos influencia moralmente

Não é a toa que ela é largamente utilizada por estadistas e religiões em geral!
A música de um povo, diz muito sobre ele...
Diante de tudo isso, deixo aqui a pergunta da Tucha:
"Quais são os seus Mantras?"

"Mantras Baianos"

A palavra mantra vem do idioma sânscrito, Man, mente - Tra, alavanca. Na cultura oriental, eles são como orações, entoados para facilitar a concentração durante a meditação, energizar, adormecer ou acordar. São usados no hinduísmo, e nas diversas linhas do budismo, escritos em sânscrito, em tibetano e em japônes. Já tentei, mas pra mim não funcionou repetir palavras que não compreendo o significado, não me trouxeram força, não me alavancaram.

Daí achei incrível a idéia de Aninha Franco numa crônica na Muito (revista dominical do jornal baiano A Tarde), trazendo o Raul Seixas como um criador de mantras mágicos. Fiquei "viajando", identificando outros mantras baianos, versos de músicas que ajudariam a enfrentar a vida com energia e força, ou, pelo menos com mais humor e alegria.

Começo com um dos mágicos de Raul, que Aninha chama de mantra da leveza mental, segundo ela, explica a possibilidade de dormir lagarta e acordar borboleta. "Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".

Nos dias em que a tristeza chega sorrateira invadindo o coração, entôo dois mantras de Caetano: “Mas uma coisa acontece agora em mim, cantando eu mando a tristeza embora”, e "Ser feliz, o melhor lugar é ser feliz, o melhor é ser feliz, onde estou, não importa tanto aonde vou, o melhor é ter amor”. Eles fazem abrir o chacra da alegria (será que existe?), um sorriso aberto e franco.

Para saudar o dia em sua caminhada, também uso versos de Caetano:

Todo dia o sol levanta e a gente canta ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora e a gente chora porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa a gente dança venerando a noite

Na mesma linha contemplativa, agora para cantar à beira mar, versos do Buda Nagô, Dorival Caymmy. "O mar quando quebra na praia, é bonito, é bonito."

Naqueles dias em que a vida embola, tudo parece confuso, parecemos estar no olho do furação, acredito que cabe um mantra dançante do Gil:


Vida,
Vida,é assim
Vida é assim
Vida humana
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida vadia
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é som e paixão
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida vivida
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
o sagrado, da força do divino
Vida é som e paixão

Mantra ou não,
a música nos aproxima da natureza,
nos eleva ao sagrado.
E você, quais são os seus
mantras?



Fonte: 50 Possibilidades

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