sábado, 17 de outubro de 2009

"As 100 Maiores Músicas Brasileiras"


A edição especial de terceiro aniversário da revista RollingStone Brasil elaborou uma lista das "100 Maiores Músicas Brasileiras". Nas palavras da própria publicação, a lista é "um justo tributo a seus criadores e também a seus intérpretes".
Confira abaixo as dez primeiras canções:

1- "Construção"- Chico Buarque

O Brasil do começo dos anos 70 era uma terra de paradoxos. O governo do General Emilio Garrastazu Médici tinha em seu bojo o chamado "Milagre Brasileiro", que prometia crescimento econômico recorde e baixa inflação. O país era campeão mundial de futebol e o slogan "Ame-o ou Deixe-o" era colado nos vidros dos carros. O que poderia estar errado? O preço para essa suposta estabilidade e ufanismo era alto. A censura tolhia a liberdade artística e a atmosfera repressora levava cidadãos insuspeitos para a cadeia. Depois de um breve período exilado na Itália, Chico Buarque retornou ao Brasil mostrando que não compactuava com a situação. Estava pronto para o confronto e explicitou isso em 1971, no LP Construção.



2-"Águas de Março"- Elis Regina & Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho"... O começo de "Águas de Março" já está impresso no fundo do subconsciente do povo brasileiro. Pouca gente sabe, mas a canção foi lançada primeiramente por Jobim, no compacto Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco , encartado no jornal O Pasquim . Depois ela foi incluída em seu disco Matita Perê , lançado em 1972. No mesmo ano, Elis Regina a gravou no álbum Elis. Mas a versão que muitos consideram definitiva foi registrada por Elis e Tom no disco de mesmo nome, lançado em 1974, com arranjos de Cesar Camargo Mariano.



3- "Carinhoso"- Pixinguinha

A mais famosa melodia da música popular brasileira continua eterna, apesar dos pesares: mesmo tendo sido escrita há mais de 90 anos, mesmo distorcida por centenas de releituras e regravações (algumas honradas, outras nem tanto), mesmo desmitificada ao embalar as mais diversas campanhas publicitárias, de cafezinho a sobremesa para crianças. Alfredo da Rocha Vianna Jr. ainda não era o Pixinguinha quando começou a ser chamado de prodígio, encantando com sua musicalidade incomum e facilidade para instrumentos e improvisos.



4- "Asa Branca"- Luiz Gonzaga

O repentista Oliveira de panelas certa vez escreveu: "Foi voando nas asas da Asa Branca/Que Gonzaga escreveu sua história". A canção "Asa Branca" desperta inúmeras reações. A composição tem mais de 50 anos de existência, mas por causa de sua atualidade até hoje se encontra presente no imaginário do povo brasileiro. Para compor a bonita toada, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira tiveram por base versos que circulavam na Serra da Borborema, Pernambuco.



5- "Mas Que Nada"- Jorge Ben

Seu time perdeu mais uma no brasileirão? O dinheiro do mês acabou e hoje é dia 12? Mas que nada! Você precisa de um samba legal pra ficar animado. Não pode ser qualquer samba, tem que ser especial. Mas tem um samba diferente, misto de maracatu. Foi lançado em 1963 e ainda soa fresquinho. O nome dele é "Mas Que Nada". Talvez você conheça a gravação do Sergio Mendes com os Black Eyed Peas de 2006, que não é tão boa quanto a feita pelo próprio Sergio Mendes 40 anos antes. Melhor esquecer as versões e ir para o original. "Mas Que Nada" foi o primeiro hit do cara que se tornou uma verdadeira escola dentro da nossa música popular, Jorge Ben (mais tarde, Jorge Ben Jor).



6- "Chega de Saudade"- João Gilberto

O samba "chega de saudade" é considerado o marco zero da bossa nova. Apesar do nascimento do gênero ser contabilizado em 1958, com a gravação do violonista e cantor baiano João Gilberto na Odeon, na verdade a gênese é do ano anterior. Em 1957, Tom Jobim produziu para o selo Festa o disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, que trazia apenas parcerias dele com o poeta Vinicius de Moraes. Entre os temas estava "Chega de Saudade". No arranjo, Jobim já dava as linhas mestras do que viria a ser a "batida da bossa" e em meio ao grandioso arranjo de orquestra já ponteava o violão de João Gilberto.



7- "Panis et Circensis"- Os Mutantes

Uma das canções mais marcantes de Tropicália ou Panis et Circencis (1968), o discomanifesto do tropicalismo (que juntou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé e os intérpretes da faixa em questão, Os Mutantes). O nome veio do uso errôneo de uma expressão latina, que Décio Pignatari viria chamar de "delicioso provincianismo de vanguarda". A confusão continua até hoje: na edição mais recente do álbum, o nome é grafado como "circencis" na capa, sendo usadas também as formas "circenses" e "circences" na contracapa.



8- "Detalhes"- Roberto Carlos

''Não adianta nem tentar me esquecer." Vinicius de Moraes bem que tentou, mas, ao menos em seu trabalho como letrista, nunca conseguiu chegar à assombrosa concisão poética do primeiro verso de "Detalhes". Nem os Beatles. Em apenas seis palavras, Roberto e Erasmo souberam condensar brilhantemente o que seria desenrolado nas seis estrofes da obra-prima dos dois: um complexo emocional em que se misturam saudade, certa dor-decorno, algum desejo de vingança, muito amor mal cicatrizado. Como é comum no trabalho da dupla, a linguagem direta e coloquial estreita afinidades entre o ouvinte e o personagem da canção. Aqui ele é, de novo, o homem comum, como eu ou você.



9- "Canto de Ossanha"- Banden Powell/ Vinicíus de Moraes

No candomblé, não existe cerimônias em a presença de Ossanha. É essa entidade que detém a força mágica das plantas - o axé - necessária em todo ritual. Talvez esse seja o motivo de "Canto de Ossanha" ser a faixa de abertura de Os Afro-Sambas, de Baden e Vinicius, terceiro álbum surgido da união entre a música de Baden Powell e a letra de Vinicius de Moraes. O disco foi gravado num lampejo entre os dias 3 e 6 de janeiro de 1966 e lançado na sequência pelo selo Forma em duas versões: estéreo e mono, para quem ainda não tinha aparelho de som com dois canais.



10- "Alegria, Alegria"- Caetano Veloso

Lançada em Caetano Veloso álbum de 1967, "Alegria, Alegria" foi a música que apresentou o movimento tropicalista ao Brasil, em apresentação ao vivo realizada no III Festival da TV Record, em 1967. O ideal exposto pela letra da canção foi reforçado pelo rock cru do grupo argentino Beat Boys, que ainda colaborou com a estética visual. "O aspecto do grupo de rapazes de cabelos muito longos portando guitarras maciças e coloridas representava de modo gritante tudo o que os nacionalistas da MPB mais odiavam e temiam", explica Caetano no livro Verdade Tropical.




Você lê esta matéria na íntegra na edição 37, outubro/2009

As 100 Maiores Músicas Brasileiras

2 comentários:

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Carlucha, sempre amo esse tipo de homenagem, porém tenho outro olhar pra o fato. Não me atenho apenas à beleza e sonoridade agradável dos acordes aos nossos ouvidos, que é fundamental, eu sei, mas o que mais admiro nessas músicas é aquele instante único, solitário, jamais descrito, em que o compositor, recolhido num espaço físico que melhor apraz à sua alma especialmente terna, se desdobra em suores e técnicas racionais pra afunilar a intuição que Divinamente recebe no momento de escrever a letra, dar uma grande mensagem ao público, dita com singularidade seja qual o tema se tenha na hora, e que será eternizada com os acordes suaves aos ouvidos.

Olha, dessas primeiras dez músicas que você agora maravilhosamente nos traz, há uma que tenho - sem pretender ser injusto com as demais – como a música nacional mais perfeita, seja quanto à sua sequência harmônica, seja quanto aos arranjos singulares à época (depois tão imitados; os exemplos são muitos ...), seja quanto à bela história da narrativa na letra, escrita sobre fatos tão comuns a qualquer pessoa de qualquer canto do mundo, mas que emocionam a todo tempo quando lembrados, ou seja pela interpretação dada: DETALHES. Ainda não vi uma letra elegantemente mais bonita que a dela...
bjs

Carlucha disse...

Olha José, eu não sei quais foram os critérios para a seleção das músicas, mas o que eu pude perceber pelas 10 primeiras é que a maioria delas esta engajada em algum momento político social importante do país! Se fosse para eu escolher as maiores músicas brasileiras a lista começaria diferente, e pelo jeito a sua tbém... :))
Entre as 10 uma que eu amo de paixão desde pequenininha, é Carinhoso... Acho perfeita! Letra romântica, melodia suave, harmonização primorosa, e o ritmo... a-do-ro chorinho!! Na minha opinião é o estilo musical mais parecido com o povo brasileiro...
Acho que somos dois românticos a moda antiga... hehe Bjos

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