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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estou indo...



"Aos poucos a gente vai mudando o foco. E o lugar nem te acrescenta mais, você começa a precisar de outros lugares. E de outras pessoas. E de bebidas mais fortes. Nem pensa. Vai indo junto com as coisas. E eu só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que façam sorrir, algum nível de embriagues e a sincronicidade. Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui.
E se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo ... preenche-la com coisas novas. Sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo! 

Caio F. Abreu

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Torneira Seca



A torneira seca
(mas pior: a falta de sede)
a luz apagada
(mas pior: o gosto do escuro)
a porta fechada
(mas pior: a chave por dentro)

José Paulo Paes

sábado, 2 de abril de 2011

Por que o defeito é sempre do outro?


Quando o outro não faz..

É preguiçoso.

Quando você não faz...
...Está muito ocupado.

Quando o outro fala...
É intrigante.
Quando você fala...
É crítica construtiva.

Quando o outro se decide a favor de um ponto...
é "cabeça dura".

Quando você o faz...

Está sendo firme.

Quando o outro não cumprimenta,
é mascarado.
Quando você passa sem cumprimentar...
É apenas distração.

Quando o outro fala sobre si mesmo,
é egoísta.
Quando você fala...
É porque precisa desabafar.

Quando o outro se esforça para ser agradável,
tem uma segunda intenção.
Quando você age assim...
É gentil.

Quando o outro encara os dois lados do problema,
está sendo fraco.
Quando você o faz...
Está sendo compreensivo.

Quando o outro faz alguma coisa sem ordem,
está se excedendo.
Quando você faz... 
É iniciativa.

Quando o outro progride,
teve oportunidade.
Quando você progride...
É fruto de muito trabalho.

Quando o outro luta por seus direitos,
é teimoso.
Quando você o faz...
É prova de caráter.

Quando pensar em julgar o outro... 
olhe primeiro para dentro de você.... 
Em muitos julgamento mesquinhos, 
julgamos a nós mesmos na figura do outro. 


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Deficiências


"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

 E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."

Mário Quintana

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ah, não fosse o verde a m'rodear...

http://theurbanearth.files.wordpress.com/2009/06/monet_seerosenteich_dia.jpg
Jardim de Monet

"...ah, não fosse o verde a m’rodear

 Sequer do violão m’sairia um acorde.

E minha vida seria só penar;

Padeceria eu as funduras dum fiorde.

Verde m'é paz, m'é encanto

É azul d’céu d’dentro d’alma
 
Só com verde por todo canto

É q'esse mundo louco s’acalma..."

José Roberto Balestra
12/05/2010

Carinho em forma de palavras 
especialmente para o Carlucha's! 
Amei!

 Leia Mais:
A Balestra

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Por Quem os Sinos Dobram?"



“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo;
cada homem é parte do continente, parte do todo;
se um seixo for levado pelo mar,
a Europa fica menor, como se fosse um promontório, 
assim como se fosse uma parte 
de seus amigos ou mesmo sua;
a morte de qualquer homem me diminui, 
porque eu sou parte da humanidade; 
e por isso,
nunca procure saber por quem os sinos dobram, 
eles dobram por ti”.


John Donne, poeta inglês do século XVI, em seu famoso texto “Meditações XVII”, escreveu este belíssimo trecho, mais tarde usado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway em seu romance “Por quem os sinos dobram”.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cidadezinha Qualquer


Tarsila do Amaral

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Acordes de Outono



Acordes de Outono

Veio o outono em tons castanhos
e esse vento de desatino,
leva e traz em meio às folhas,
ao longe...o som de um violino.

Foram-se as primaveras e os verões!
Na rodopiante roda do tempo,
giram inexoráveis as estações!

A cada novo outono
fico mais perto de meu inverno,
caem minhas flores,
amadurecem meus frutos.

Só o coração...é eterno menino.
E o vento continua trazendo
perdidos em sua dobras,
pálidos acordes de violino.

Lenise Marques

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eu Amo Tudo



Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje já é outro dia.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Homem, A Luta e A Eternidade



Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!


Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.


Murilo Mendes

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Que Tudo Passe



passe a noite
passe a peste
passe o verão
passe o inverno
passe a guerra
e passe a paz

passe o que nasce
passe o que nem
passe o que faz
passe o que faz-se

que tudo passe
e passe muito bem

Paulo Leminski

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Não me Peçam Razões


Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Hoje Desaprendo o que Tinha Aprendido Ontem



Hoje desaprendo o que tinha aprendido ontem
E que amanhã recomeçarei a aprender.
Todos os dias desfaleço e desfaço-me em cinza efêmera:
todos os dias reconstruo minhas edificações, em sonho eternas.

Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência
dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo.
E do alto avisto os que folgam e assaltam, dono de riso e pedras.
Cada um de nós tem sua verdade, pela qual deve morrer.

De um lugar que não se alcança, e que é, no entanto, claro,
minha verdade, sem troca, sem equivalência nem desengano
permanece constante, obrigatória, livre:
enquanto aprendo, desaprendo e torno a aprender

Cecília Meireles

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Do Bem e do Mal



No fundo, não há bons nem maus.
Há apenas os que sentem prazer
em fazer o bem
E os que sentem prazer
em fazer o mal.

Tudo é volúpia...

Mario Quintana

Rosto com Dois Perfis



Renuncio às palavras
e às explicações.
Ando pelos contornos,
onde todos os significados
são sutis, são mortais.

Não quero perder o momento belo. 
Quero vivê-lo mais,
com a intensidade que exige a vida:
desgarramento e fulguração.

Então me corto ao meio
e me solto de mim:
a que se prende e a que voa,
a que vive e a que se inventa.
Duplo coração:
a que se contempla e 
a que nunca se entende,
a que viaja sem saber se chega
- mas não desiste jamais.

Lya Luft

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Saudade


Saudade

Saudade de tudo!...

Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas
que eu podia viver e não vivi!...
Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfas e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez ainda hoje espere por mim...

Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...

Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha 

numa gota o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo...

João Guimarães Rosa

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Me Leve


-Moça com Livro-
Almeida Júnior

Cantiga para não morrer...

Quando você se for embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar in De Dentro da Noite Veloz 

(1962-1975) 



Lindíssimo!
Valeu a dica! 
Stanis

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Homem; As Viagens



O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.


Carlos Drummond de Andrade

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