Como outras manifestações culturais alternativas, aparecidas nos anos 60, o poema–postal surgiu e teve como pioneiro entre nós, em 1970, o poeta Pedro Lyra. Elaborando cartões postais em que unia um breve texto poético à imagem escolhida, da qual o texto muitas vezes funcionava como legenda, Lyra dava início a uma técnica bem própria de divulgar a poesia. Ainda que presa a uma vertente do chamado poema–processo, dele se distanciava ao admitir o emprego de versos, num contexto que poderia dispensá–los, e formando um discurso bastante conciso, no qual a economia de vocábulos se responsabilizava pela maior objetividade da mensagem.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Pedro Lyra
Como outras manifestações culturais alternativas, aparecidas nos anos 60, o poema–postal surgiu e teve como pioneiro entre nós, em 1970, o poeta Pedro Lyra. Elaborando cartões postais em que unia um breve texto poético à imagem escolhida, da qual o texto muitas vezes funcionava como legenda, Lyra dava início a uma técnica bem própria de divulgar a poesia. Ainda que presa a uma vertente do chamado poema–processo, dele se distanciava ao admitir o emprego de versos, num contexto que poderia dispensá–los, e formando um discurso bastante conciso, no qual a economia de vocábulos se responsabilizava pela maior objetividade da mensagem.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Lindolf Bell
Todos fizeram seus versos para o poeta.
Também vou fazer os meus.
Quando um poeta morre
os outros fazem silêncio
ainda que ninguém tome conhecimento.
Onde estiver,
a estrela da tarde
estará no horizonte da palavra,
atrás do teatro Carlos Gomes
de meus pensamentos vãos,
e me lembrarei de ti, Manuel
Bandeira da saudade.
Onde estiver,
estarei na sacada do mundo
esperando a tua bênção
no vento noturno,
na tua galeria intemporal
de poeta que fez versos
como quem ama.
Onde estiver,
sei que pairas
entre o coração que sabe
e o ruído dos automóveis
da rua quinze de novembro e a chuva
de minha cidade temporal,
que visitas sem que ninguém saiba
e abençoas sem resposta esperada.
Todos fizeram seus versos para o poeta.
E o tempo custou a chegar
para meus versos,
afundados que jaziam no rio Itajaí,
antes da estrela da manhã
ainda que tardia,
onde os esqueci.
quando um poeta morre
os outros morrem também.
Mas nasce um canto
que fica
e fica um verso que nasce,
poeta Manuel, Leão leal.
Mas um canto de morte inteira,
Mas um verso da vida inteira.
E eu queria te dizer,
Manuel Bandeira do Brasil
e verde vale de azul anil,
que achei uma palavra fora do dicionário,
uma palavra estrelada de nome:
MANUELANCOLIA.
Lindolf Bell nasceu em Timbó (SC) no dia 02 de novembro de 1938. Em 1944, sua mãe iniciou sua alfabetização em alemão. De 1945 a 1952 estudou em sua terra natal Em 1953, matriculou-se no Curso Técnico em Contabilidade de Blumenau, concluído em 1955. Voltou a Timbó. Em 1958, serviu à Polícia do Exército. Em 1959, no Rio de Janeiro (RJ), estudou Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, curso que não completou. No ano seguinte, retorna a Timbó. Em 1962, iniciou seus estudos no Curso de Dramaturgia na Escola de Arte Dramática de São Paulo, no qual se formou em 1964.
Publicou seu primeiro livro de poesia, Os Póstumos e as Profecias, em 1962. Participou de diversos eventos: na Expressão de Novos Poetas, com poemas-murais, na biblioteca paulistana Mário de Andrade; do Movimento da Catequese Poética; foi autor do roteiro cinematográfico A Deriva para o filme experimental de Juan Seringo; declamou poemas no Show Contra, no Teatro Ruth Escobar, São Paulo SP. Em 1968, viajou para os Estados Unidos, onde integrou o grupo brasileiro no International Writing Program, na Universidade de Iowa. No seu retorno, passou a viver em Blumenau, onde foi professor de História da Arte na Fundação Universidade Regional. Participou na I Pré-Bienal de São Paulo, em 1970, com poemas-objetos.
O autor faleceu no dia 10 de dezembro de 1998, na cidade de Blumenau (SC).
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Leminski

(Curitiba,1944 — Curitiba,1989)
Poeta itinerante e peregrino,
pelas ruas do mundo,
arrasto o meu destino
Mundo? Uma aldeia de nome tupi,
um monstro com nome de santo,
Curitiba, São Paulo,
com vocês me deito,
com algo me levanto.
Vocês aí parados
a mesma vida de sempre,
como vos invejo e vos desprezo,
voz de nós, voz dos meus avós,
prazos, prêmios, praças, preços,
chove sobre mim
a chuva que eu mereço.
Invoco forças poderosas.
Quando vou poder
transformar minhas ruínas em rosas ?
Subir Mais
Subir, no raio de uma estrela
Subir até sumir
Subir até sumir no brilho puro
Subir mais, subir além
Subir mais, subir além
Subir, no raio de uma estrela
Subir até sumir
Subir até sumir no brilho puro
Subir mais, subir além
Subir mais, subir além
Além de toda a treva, de toda a dor
Além de toda a treva, de toda a dor
Desse mundo
Até chegar aqui
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Pablo Neruda
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.
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