sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Leminski


Paulo Leminski Filho
(Curitiba,1944 — Curitiba,1989)
Foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô. Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares. Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais, embora ele jamais tenha sido próximo de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970.

POETA ITINERANTE

Poeta itinerante e peregrino,
pelas ruas do mundo,
arrasto o meu destino
Mundo? Uma aldeia de nome tupi,
um monstro com nome de santo,
Curitiba, São Paulo,
com vocês me deito,
com algo me levanto.
Vocês aí parados
a mesma vida de sempre,
como vos invejo e vos desprezo,
voz de nós, voz dos meus avós,
prazos, prêmios, praças, preços,
chove sobre mim
a chuva que eu mereço.
Invoco forças poderosas.
Quando vou poder
transformar minhas ruínas em rosas ?



Parte do musical "FEIJÃO COM PIPOCA E PALAVRAS NO PIRES", do Grupo de MPB da UFPR, apresentado no Teatro da Reitoria no dia 14/11/2008 (Ctba/PR).

Subir Mais

Subir, no raio de uma estrela
Subir até sumir
Subir até sumir no brilho puro
Subir mais, subir além
Subir mais, subir além

Subir, no raio de uma estrela
Subir até sumir
Subir até sumir no brilho puro
Subir mais, subir além
Subir mais, subir além

Além de toda a treva, de toda a dor
Além de toda a treva, de toda a dor
Desse mundo

Até chegar aqui

2 comentários:

Tucha disse...

Gosto imensamente da poesia de Leminski, diz muito com poucas palavras. O espetáulo tb é interessante. Vc realmente fez um bom garimpo e trouxe preciosidades.

CheshireCat disse...

Amo o Leminski! Ganhei um livro dele no concurso de poesia do meu antigo colégio e me apaixonei pelo jeito dele escrever. Ótimo post. =)

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