segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Bicho


Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Rio, 27 de dezembro de 1947

As fotos são do fotógrafo Álvaro Riveros, chileno de nascimento e brasileiro por opção, que viu sua fascinação pelos tipos invísíveis da metrópole carioca se avolumar quando saía em direção às pautas jornalísticas. ”É a minha tentativa de entender o momento em que vivemos. Minha expressão é a imagem. É a partir dela que tento compreender o mundo“, diz Álvaro, que coleciona mais de 1.000 fotos, clicadas desde o ano 2000, doze meses depois de chegar ao Brasil. ”No Chile, também há moradores de rua, é claro, mas no Rio era impossível, para mim, não me atormentar pelas imagens que eles me proporcionavam“.

6 comentários:

Dan disse...

Oi Carlucha,

Lindo poema de Bandeira, grande postagem sua. Nos leva a pensar na vida, nos caminhos a serem seguidos. Pobre do país que não dá importância as suas pessoas...

Abraços

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Carlucha, apesar de eu não ter muita paciência para assistir filmes, ontem abri uma exceção. (a impaciência vem não só pelo fato de eu ser um escritor amador, mas vejo pouco filme porque a maioria tem violência de alguma forma, algo que não suporto ver... Inclusive, por isso é que não sou advogado criminalista.).

Olha, fui muito feliz na decisão. Vi o filme "ALGUÉM PARA DIVIDIR OS SONHOS" (The Saint Of Fort Washington), que aliás, no nome original cairia bem melhor (O Santo de Fort Washington).

A "miséria humana" é o enredo do filme, semelhante ao que diz aí o belíssimo poema Manuel Bandeira postado por você, e escrito pelo autor um dia antes do Natal de 1947. Notou?

Veja a sinopse do filme: saído de um Hospital Psiquiátrico, o ingênuo e bondoso Mattew (Matt Dillon), um ex fotógrafo premiado internacionalmente (com a mesma visão crítica e social do fotógrafo chileno Álvaro Riveros, aí do seu post), é obrigado a passar a noite no abrigo novaiorquino de indigentes “Fort Washington”, onde conhece Jerry (Danny Glover), um veterano do Vietnã que perdeu emprego e família.

Nasce uma grande amizade entre eles, que tentam ganhar a vida dignamente e com bom humor para conseguir uns trocados limpando pára-brisas nas ruas de Nova Iorque. Assim vão juntando dinheiro para começarem uma nova vida. Uma obra humana, onde as atuações de Matt Dillon e o insuperável Danny Glover dão alma a um dos mais emocionantes filmes já feitos.

Carlucha, alguns filmes me marcaram muito a alma, como Sociedade dos Poetas Mortos (Robin Williams), Villa Fioritta (Maureen O'Hara), O Campeão (Jon Voight), O Encantador de Cavalos (Robert Redford); esse que acabo de assistir já entrou para essa minha lista pessoal. Recomendo.

Parabéns pela postagem do humaníssimo poema de M. Bandeira!
bjs

Carlucha disse...

Pois é Dan! As vezes me pergunto se o nossos dirigentes estão realmente preocupados com as pessoas marginalizadas, ou apenas se preocupam com interesses que os favorecem... Vivemos em uma época de grandes contrastes, e qualquer pessoa com um pouquinho de sensibilidade percebe, e o pior, sofre com isso! Bjos

Carlucha disse...

Querido José, assim como vc, eu tbém não suporto filmes sangrentos. Há uma violência exagerada e gratuita na maioria dos filmes americanos, que na minha opinião, além de desnecessária é altamente perniciosa! Fazia tempo que não me interessava por filmes, mas ultimamente tenho assistido alguns ótimos! Não assisti ainda todos os filmes que vc mencionou, mas vou assisitir e depois comento com vc. Adorei as indicações! Obrigada :)
Os filmes que assisti recentemente e indico são:

- A Partida *****
- Che ****
- O Estranho Caso de Benjamim Button ***
- O Solista ****
- O Leitor ****

* Coloquei uma nota base.

É sempre um prazer "conversar" com vc! Bjos

Tucha disse...

O abandono é uma das coisas mais doídas... e a cada momento nas esquinas da cidade encontramos homens vivendo do lixo... E ainda há quem seja contra programas de inclusão social.

Carlucha disse...

Pois é Tucha, na minha opinião os programas sociais,apesar de serem paliativos, são necessários até que finalmente se faça uma mudança de base na estrutura socio-governamental desse país! Vc não concorda? :) Bjos

Arquivo do blog